Numa quarta-feira dessas, estava no cinema com minha parceira de quase sempre, para quase tudo Sibeli, fomos assistir “De pernas pro ar”. Eu já tinha assistido, mas quem me conhece sabe que sou um "pouco" maníaca compulsiva por e com algumas coisas. Quando gosto do filme chego a assisti-lo 20, 35, 70 e quantas vezes der na telha. Enquanto assistíamos os trailers, vi um rosto conhecido no telão. Não é conhecido apenas de Jean era aquele tipo de aluno que mata qualquer um ser humano de felicidade. No meu caso, felicidade sim, já da maioria dos outros professores... É melhor não comentar. Vou contar um pouco da nossa história. Há quatro anos atrás, eu assumia as turmas da 6ª série para dar aulas de Inglês, como professora substituta de uma escola estadual aqui de Salvador. O turno era vespertino e geralmente dar aula para as turmas neste horário era bastante complicado, afinal o sol batia quente no telhado da escola e fazia muito calor. Numa destas turmas, me deparo com um menino muito agitado e que tinha a fama de bagunceiro, “atrapalhador da ordem” e outras "cositas" mais. Este era Jean. Ufa, ainda bem que ele era isso tudo! Sempre respeitei os meus alunos e alunas, fossem eles quem fossem. É óbvio que muitas vezes saio do sério, mas estou neste barco muito atenta a alguns sinais que a vida destas crianças traz. Jean mostrava a todos que precisava muito de atenção, tanto que hoje ele está nas telas do cinema brasileiro, interpretando um personagem tão forte quanto Pedro Bala, tendo a atenção literalmente voltada para ele.
Há dois anos atrás, quando iniciaram as gravações do filme, eu e ele nos encontramos no Pelourinho e ele me contou esta novidade boa sobre a gravação do filme. Estava ele, sua irmã e um colega que não foi meu aluno, mas que eu tenho muito apreço, Amilton. Lembro como foram tão carinhosos comigo por terem me reencontrado, mesmo após algum tempo. Fico feliz quando meus alunos se referem a mim com carinho quando não sou mais professora deles. Soa como trabalho feito com apreço. Tiramos esta foto que esta aqui no blog.Preciso dizer a Jean que ele me nutriu de esperança e de alegria com este momento. Ainda bem que o líder dos Capitães da Areia, também líder naqueles tempos de escola, está escrevendo a sua história de forma muito diferente daquela que tentaram escrever pra ele naqueles tempos atrás. Boa, Jean! Continua atrapalhando a ordem, nutrindo a desordem!

