quinta-feira, 14 de abril de 2011

Violentamente pacífico

video
Tenho muito a declarar sobre este depoimento, mas primeiro vou expor o vídeo aqui no blog para quem acessar deglutir o que ele diz ou engasgar de vez com esta chuva de verdades. A hora está chegando!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A decepção amorosa está na ponta do pé

Creio que quase nada incomode tanto na vida quanto o fato de se usar um sapato com o bico apertado. Parece que nos falta ar, as palavras saem da boca sem sentido, como reflexo da dor e até o maior cético reza para que chegue a hora de tirar os "marditos". Mas há um tipo de gente que faz bom uso de um sapato apertado, até gosta. Mais a frente falarei um pouco mais desta raça.
Estou inteiramente interessada nos estudos da ciência contra dor de cotovelo, decepção amorosa e abandono conjugal. Vivencio esta dor agorinha mesmo, além de uma gama de amigos e amigas minhas, todos praticamente no mesmo momento. Algumas relações que pareciam ser tão sólidas, outras nem tanto, a minha era “assim-assim” acabam e sempre algumas pessoas se entranham nas profundezas da tristeza e da desesperança de que a dor passará ainda nesta existência.
Gente, como dói! O pior é o que discurso de que ninguém é obrigado a ficar com ninguém, que todos fazemos gozo do livre-arbítrio não leva em consideração os danos emocionais do abandonado. Sempre tem alguém que vem nos consolar no ápice da nossa dor dizendo que quem abandona também sofre. Sofre por qual motivo mesmo? Porque destruiu os sonhos do outro quando ele menos esperava? Porque o abandonado vai sofrer e ele está preocupado?
Nãnãninãnão! Concordo com isso não! Por mais livre que se seja, creio ser uma obrigação em respeito do outro, do que se viveu, do que foi projetado e arquitetado que se pense em COMO abandonar alguém. Isto mesmo. Da mesma forma que se deu a construção, que não é rápida e sorrateira como a maioria dos términos, deve ser a desconstrução. Um dia se ouve “Eu te amo”, no outro “Estou sufocado”, “Não te amo mais” ou “As coisas fugiram do meu controle”?
Tudo bem, entendo as demandas da modernidade líquida de Baumman, com a fluidez de tudo, das relações e dos sentimentos, mas e o outro ser humano com quem se está lidando? Não conta? Ele que entenda e se não entender é egoísta? Problema meu? Hum, a relação era só minha? Quem é o egoísta da história? O abandonado não é "líquido"!
Acho ser agora a hora de voltar a falar do uso do sapato apertado. Acredito na relação entre o pé na bunda e o fim dos relacionamentos-amorosos-conjugais através da metáfora do chute com bico fino. Em todo término de relação há alguém que entra com pé e alguém que entra com a bunda, literalmente. Para piorar a situação do chutado, o “Adriano Imperador” do chute avassalador ainda usa um sapato de bico fico, para não ter a possibilidade de errar o alvo, o meio, bem no “meinho” da bunda a ser chutada, para que não tenha erro. Bom, para esta utilidade se acham sapatos de bico fino de todo e qualquer preço, para todo e qualquer tamanho e formato de pé. Tenha a criatura chutadora 8 dedos em cada pé, mas ele acha o seu par de bico fino.

Uma pessoa muito querida me ligou hoje para dizer que publicaria um texto intitulado “Insensato coração”. Ela entrou com a bunda no fim do seu relacionamento de dez anos com um cara que saiu de casa para trabalhar e voltou casado com outra mulher com a metade da idade da minha amiga-da-bunda-chutada! O título do texto dela deveria ser “Insensata bunda”, que se deixou ser chutada... Uma outra vivia com a companheira numa relação linda, cheia de amor e uma cadelinha compartilhada entre as duas e o que aconteceu? Ela tem usado bóias para sentar por conta da dor que sente por causa da intensidade da bicuda anal que levou.
Por que sempre há pessoas que investem em sapatos de bico fino da Arrezo, Carmim ou Carmem Steffens e outras que investem pesado na projeção da vida a dois e na realização de sonhos que contemplam o outro ou a outra a todo momento, ou seja, investem na bunda? A solução é fazer como Carla Perez, fazer um seguro do bumbum em casos de abandono repentino com agressão física aplicada na área posterior do quadril? A indenização a ser paga é pelos danos emocionais causados, pelas consultas com psicólogo terapeuta, pelo entretenimento forçoso para não entrar em depressão, pela falta de concentração na realização das tarefas cotidianas, pelos medicamentos antidepressivos, pelas quilométricas contas de telefone celular com as ligações para os amigos ou pelo tempo gasto com aplicação de gelo e Gelol nas nádegas?
Acho que a ciência deveria estudar uma proteção contra “sacanagembicofinonabunda”, pois a depender da maneira como se rompe com alguém, a dor do pé na bunda traz conseqüências inesquecíveis e tormentos tão dolorosos que podem deixar o chutado sem forças para viver. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém, mas creio que ninguém deva terminar com um bico fino bem enfiado no meio do traseiro. Tem chute que é tão forte que o chutador se vai e ainda deixa o par para contar história.
Por isso mesmo que agora eu só quero quem usa Havaianas, as legítimas ou as sandália de couro, como bem diz a música de Jau!